6 de nov. de 2009

O Brincar no Contexto Familiar e Educacional

Partindo dos pressupostos teóricos de que o brincar proporciona uma variedade de experiências lúdicas essenciais ao desenvolvimento cognitivo, emocional, motor e social das crianças, se faz necessário que esse espaço seja priorizado na família e na escola. Analisando os dois aspectos, percebe-se que no contexto familiar o tempo de brincar está sendo retirado de muitas crianças carentes, que desde cedo são forçadas a trabalhar para auxiliar na renda familiar, outras já fazem parte de um contexto social com maiores possibilidades de acesso às brincadeiras, no entanto, não dispõem de tempo pela antecipação dos deveres escolares, pelo seu dia-a-dia preenchido com cursos e atividades extras.
No contexto educacional, infelizmente a realidade não é muito diferente. De um lado, há um sistema de ensino impondo conteúdos exaustivos preocupado com a competitividade, e de um outro, pedagogos divididos entre cumprir com as exigências da verticalidade e / ou sensibilizados com a infância podada de inúmeras crianças que a escola não consegue enxergar ou ignora o potencial que esse recurso dispõe para o desenvolvimento de habilidades e aquisição de conhecimentos. Que pena! Assim, Vigotsky (1998, p. 133) vem reforçar esse pensamento quando cita que “o brinquedo não é o aspecto predominante da infância, mas é um fator muito importante do desenvolvimento”. Sabe-se que a criança que não brinca por falta de oportunidade ou por estar sobrecarregada de tarefa poderá futuramente manifestar essa carência sob forma de instabilidade emocional, sem contar com outras consequências ou repercussões que poderão surgir posteriormente. É através da brincadeira que a criança interpreta e assimila o mundo ao seu redor. Enquanto ela brinca, revive situações que lhe causam medo, raiva, alegria, ansiedade favorecendo uma maior compreensão de suas emoções e conflitos. Na prática psicopedagógica, o lúdico é o “carro chefe” do trabalho. O jogo é bastante utilizado por ser um facilitador, tanto na diagnose, quanto na intervenção, pois nos dar suporte para fazermos uma leitura das dificuldades, dos conflitos que travam o desenvolvimento da criança, além dos embasamentos teóricos e outros recursos que a área nos favorece. Aos educadores que ainda não inseriram o brincar em sua prática pedagógica, proponho essa experiência, na qual será possível fazermos a conexão entre os conteúdos e o lúdico e ainda priorizarmos as relações afetivas desenvolvidas pelas crianças. Assim, teremos crianças mais felizes.

Referência bibliográfica
VIGOTSKY, Lev Semenovich. A formação social da mente. Editora: Martins Fonte. (Psicologia e Pedagogia). São Paulo, 6ª ed, 1998.
Publicado no Boletim da ABPp-Ce. Ano 8- Nº 23 -Junho de 2009.

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